Home office será adotado nos bancos, o que isso muda para você?

Larissa Carvalho

| 8 minutos para ler

mulher de camisa xadrez duante seu horário de trabalho em home office fazendo anotações e usando um laptop

Resumo da matéria

  • 1. Home office não significa trabalho em casa
  • 2. Não é para todo mundo
  • 3. Home office não é um jeito fácil de ganhar muito trabalhando pouco
  • 4. Pijama e pantufa não combinam com home office
  • 5. O home office não é um mar de rosas…
  • 6. …mas é o melhor lugar do mundo para trabalhar

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Calma, em muitos casos os atendimentos serão feitos por funcionários escalonados para atender você. Leia nosso artigo e fique por dentro!

Imposto às pressas pela pandemia de covid-19, o home office veio para ficar nos bancos brasileiros.

Há 230 mil funcionários de instituições financeiras trabalhando de casa desde a segunda metade de março, e para uma parcela desse contingente essa será a nova realidade.

Os planos ainda estão sendo finalizados, mas já existe a percepção de que, em muitos casos, a jornada remota não é apenas mais econômica como tem sido muito mais produtiva.

No Banco do Brasil (BB), há planos de manter cerca de 10 mil funcionários de áreas administrativas em jornada parcialmente remota. Na crise, 32 mil colaboradores têm atuado remotamente.

 A ideia é que esse grupo de funcionários, a ser definido com base na percepção do gestor de cada área, trabalhe parte dos dias no escritório e parte em casa.

O martelo ainda não foi batido, mas estudos internos apontam uma economia de até R$ 180 milhões por ano em despesas com imóveis – entre aluguel e manutenção – com a implantação de um home office dessa magnitude no BB.

O Bradesco deve concluir em cerca de um mês seus estudos sobre o assunto.

Por enquanto, a percepção é a de que entre 30% e 40% do pessoal de áreas administrativas poderá continuar trabalhando de casa e outro grupo de 25% a 30% não precisará ir ao escritório todos os dias, segundo André Cano, vice-presidente executivo que cuida de toda a área de apoio do banco.

Desde as últimas semanas de março, 93% dos funcionários das áreas administrativas do banco e das empresas coligadas, como a seguradora, estão trabalhando de forma remota.

Nas agências, há um revezamento, com metade da equipe operando a cada semana.

“Já que a gente teve que fazer esse piloto forçado, a conclusão é que há ganhos para a companhia e para os funcionários com o home office”, disse Cano.

Diversas instituições financeiras já vinham, há muito tempo, conduzindo projetos-piloto de home office.

Porém, os testes sempre se limitavam a poucas centenas de pessoas. Quando o coronavírus começou a se espalhar pelo país, os bancos se viram forçados a abraçar a causa, e numa escala até então inimaginável.

Em duas semanas, colocaram dezenas de milhares de colaboradores para exercer de casa suas funções habituais – inclusive de áreas como atendimento a clientes e segurança da informação.

“O emergencial está nos dando a oportunidade de olhar para dentro de casa e ver onde pode haver ganhos de eficiência”, afirmou Neto, do Banco do Brasil.

 O Itaú Unibanco ainda não tem uma estimativa de quantas pessoas poderão ser mantidas em home office, mas a instituição está satisfeita com os resultados que a experiência vem proporcionando.

O maior banco do país em ativos está com 53 mil pessoas em jornada remota.

Segundo levantamento feito internamente, já respondido por cerca de 16 mil colaboradores, mais de 90% afirmaram que suas atividades podem ser feitas à distância e que poderiam trabalhar de casa, em média, três vezes por semana.

“As reuniões estão mais focadas e o trabalho está mais produtivo, além do benefício de poder passar mais tempo com a família e menos no trânsito”, destacou Sergio Fajerman, diretor-executivo de recursos humanos do Itaú.

De acordo com o executivo, o banco tem dois grupos de funcionários: os que estão trabalhando remotamente e podem continuar assim, e os que precisam atuar de forma presencial, como equipes de agências, vendedores da credenciadora Rede e executivos do atacado que visitam clientes.

O pós-pandemia está sendo pensado com essa realidade em vista.

Algumas áreas que hoje estão em home office, como parte dos funcionários da corretora e da tesouraria, talvez voltem para o escritório.

No entanto, o Itaú não planeja fazer nenhum movimento de retorno ao trabalho presencial antes do início de setembro. E, segundo Fajerman, nada indica que depois disso a volta será rápida. “Estamos tão bem assim que não temos por que fazer nada”, disse.

No Santander, a possibilidade de home office contínuo está em estudo. A Caixa, por sua vez, não tem planos de trabalho remoto neste momento, mas não descarta adotar um modelo de jornada com um dia em casa, apurou o Valor.

O home office para pessoal de tecnologia e áreas de apoio pode vir a ser discutido mais adiante.

Já está claro, nos bancos, que a necessidade de espaços físicos será menor e que a disposição deles também será diferente.

As estações de trabalho serão mais espaçadas – com o distanciamento imposto pela pandemia – e as áreas de convívio vão ganhar importância. “Refletimos se ter a organização em baias é a melhor forma de trabalho.

Acreditamos que não, que os mesões funcionam melhor para a colaboração entre equipes”, disse Glaucimar Peticov, diretora-executiva do Bradesco.

“O escritório vai ser para manter essa liga entre as pessoas”, disse Fajerman, do Itaú.

A crise também pode acelerar o processo já em curso de redução da rede física. Segundo Cano, as transações em agências caíram 70% na pandemia, e é possível que o Bradesco feche mais unidades que as 320 previstas para este ano.

Nesse caso, os funcionários serão transferidos para o atendimento digital ou outras áreas, disse.

O trabalho remoto pode levantar questões sobre a segurança das operações. Mas, em nota, o BC afirmou ao Valor que não há necessidade de autorização específica para que os bancos funcionam em home office.

“Independentemente da opção pelo home office, as instituições permanecem obrigadas a cumprir as exigências regulamentares e as determinações decorrentes das atividades de fiscalização do BC, que seguem sendo realizadas”, disse.

Uma das exigências é que as “instituições mantenham acessíveis os canais de atendimento aos seus clientes”, inclusive presenciais.

imagem de posto de trabalho home office

Veja também: Decoração home office: ideias para ter um cantinho mais produtivo

O Home office hoje é um dos grandes temas quando o assunto é trabalho do futuro. E como o assunto é relativamente recente no Brasil, achamos importante esclarecer certos pontos – e até mitos – sobre o trabalho realizado remotamente. Vamos a eles:

1. Home office não significa trabalho em casa 

Apesar desta ser a tradução literal do termo, no Brasil ele define de forma genérica o trabalho que é realizado em espaço alternativo ao escritório da empresa.

Este local pode ser – ou não – o escritório em casa. Uma pessoa pode trabalhar “home office” em cafés, hotéis, aeroportos, táxis, parques…ou em casa.

Os termos mais exatos para definir esta modalidade de trabalho são: trabalho remoto, teletrabalho, trabalho à distância, ou o que acredito ser o mais adequado, trabalho portátil.

2. Não é para todo mundo

Infelizmente nem todo profissional pode trabalhar home office.

Quem é empreendedor e quer permanecer com uma empresa enxuta ou somente testar a viabilidade de uma ideia, pode abrir sua empresa na garagem de casa e começar a trabalhar.

Já quem é colaborador de uma empresa depende de uma série de fatores para ser candidato a este formato de trabalho.

Em primeiro lugar, a empresa onde ele trabalha deve possuir um programa que permita esta modalidade. Ou ter planos de implementar um piloto.

Depois, existe a restrição de atividades. Algumas tarefas exigem que o colaborador vá até o local de trabalho todos os dias da semana.

Isso ocorre quando as ferramentas que ele utiliza para executar seu trabalho não podem ser retiradas da empresa (por não serem portáteis, serem perigosas ou sigilosas).

Outro motivo é quando o trabalhador depende da interação exclusivamente presencial com outras pessoas, de dentro ou de fora da empresa, todos os dias da semana.

E, finalmente, existe a regra dos três perfis: ambiente de trabalho, família e colaborador devem possuir as características necessárias para que o teletrabalho seja realizado de forma adequada e producente.

Um profissional que é movido a chefe, montou seu home office na cozinha ou não tem uma família colaborativa, por exemplo, terá dificuldade para trabalhar remotamente.

3. Home office não é um jeito fácil de ganhar muito trabalhando pouco

Quando alguém procura o termo “home office” nas ferramentas de busca, aparecem muitas ofertas de “trabalhe sem sair de casa”.

São promessas de renda extra onde o candidato tem a possibilidade de receber valores atrativos trabalhando somente algumas horas do dia.

Obviamente, há sempre uma taxa de inscrição envolvida no processo.

Na maioria das vezes, estas ofertas não passam de “esquemas” onde a única pessoa que trabalha pouco e ganha muito é a pessoa que está vendendo a promessa.

Existem duas maneiras de efetivamente trabalhar em casa: como empreendedor/autônomo, ou como contratado de uma empresa.

Se você pretende abrir uma empresa home based, ou trabalhar em casa como autônomo, prepare-se para muita dedicação.

Quem é seu próprio chefe sabe muito bem que o expediente não acaba no final do dia e a semana muitas vezes não termina na sexta-feira.

Se você trabalha em casa para uma empresa, a chance é grande de que também passe a trabalhar mais do que no escritório tradicional, já que as horas antes perdidas no trânsito acabam sendo revertidas em mais produtividade.

Além disso, no trabalho remoto não existem as pausas para o cafezinho ou as interrupções dos colegas: trabalha-se de forma mais contínua e, portanto, mais intensa.

4. Pijama e pantufa não combinam com home office

Trabalhar em home office exige uma grande dose de profissionalismo e esta atitude começa na hora de se vestir para trabalhar. Quem trabalha em casa e fica de pijama, ou sem camisa, acaba refletindo este desleixo na qualidade de suas tarefas.

Se o hábito faz o monge, um traje não profissional pode contaminar a seriedade do trabalho e reduzir a credibilidade e até a auto-estima do colaborador.

Esta insegurança pode acabar vindo à tona, principalmente na hora de falar com os clientes ao telefone. Em casos extremos, o comportamento relapso no home office pode levar até à depressão.

Isto não significa, claro, que seja necessário colocar terno e gravata todos os dias. O importante é trabalhar com uma roupa confortável, mas que transmita uma atitude profissional para si mesmo e para os outros.

Inclusive preparando o colaborador para atender a uma eventual reunião de última hora por vídeo-conferência.

Camisa pólo e jeans, por exemplo, são coringas. Maquiagem leve para as mulheres e barba aparada para os homens também ajudam na inspiração e na motivação.

5. O home office não é um mar de rosas…

Muita gente acha que se começar a trabalhar em home office vai poder dormir até as onze horas da manhã, passear no shopping quando bem entender, beber uma cervejinha com os amigos no meio da tarde. E trabalhar quando sobrar um tempinho.

Mas para funcionar com produtividade, o home office exige um grande autocontrole e uma dose extra de disciplina.

Disciplina para lidar com “tentações” como a geladeira e a TV a dez passos de distância, disciplina para saber a hora de começar e de terminar o expediente, disciplina para organizar o espaço de trabalho e para gerenciar o andamento de suas tarefas e não se perder nos prazos.

Além disso, trabalhar em casa pode gerar uma sensação de isolamento, problemas familiares e queda de concentração por conta de ruídos domésticos, distrações, demandas de filhos e cônjuges.

homem de camiseta preta e óculos durante o expediente em home ofice

Leia mais: O que os bancos estão fazendo para enfrentar a crise causada pelo coronavírus

6. …mas é o melhor lugar do mundo para trabalhar

Apesar dos desafios, quem consegue administrar seu tempo e produzir com qualidade no home office acaba trabalhando melhor e aproveitando muito mais a vida. 

Com o trabalho remoto evitam-se as várias horas e o enorme estresse causados pelo trânsito no trajeto entre casa e trabalho. 

O tempo que o colaborador ganha escapando dos congestionamentos pode ser utilizado para praticar esporte, acompanhar um filho no médico, relaxar, ou até mesmo adiantar as tarefas para garantir tempo livre em outro momento. 

Com a redução do estresse no trânsito e a possibilidade de controlar a qualidade da própria alimentação, quem sai ganhando é a saúde do colaborador. 

Além disso, trabalhar em home office aumenta a motivação e reduz interrupções de colegas e reuniões desnecessárias, aumentando a produtividade. Bom para o colaborador, melhor ainda para a empresa que o emprega.

Muitas questões ainda permanecem, causando dúvidas, estranheza, polêmica e até preconceito. Por isso a importância de lançar uma luz sobre o tema. 

Se todos encararmos o trabalho remoto com a devida seriedade, em pouco tempo teremos uma situação similar a de países como EUA, Inglaterra e Índia, onde esta modalidade já faz parte do cotidiano e traz benefícios para milhões de empresas e trabalhadores.

Afinal, trabalho é algo que se faz, não um lugar para onde se vai.

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