Previdência privada – Guia completo

Larissa Civita

| 10 minutos para ler

Continua depois da publicidade

Muitas pessoas acabam deixando o planejamento da aposentadoria para a última hora. Porém, depender completamente da previdência social não é indicado hoje em dia.

Isso porque os pagamentos atuais do regime previdenciário do estado não estão muito vantajosos. Considerando que, quando você estiver mais velho, suas despesas com saúde provavelmente irão aumentar, é importante se precaver para garantir o seu bem-estar.

Neste cenário, a Previdência privada passou a ser uma alternativa cada vez mais atraente. Com ela, é possível inclusive aposentar-se mais cedo, recebendo mensalmente uma quantia previamente calculada para que você possa viver de forma confortável e segura os últimos anos da sua vida.

Se você simplesmente poupasse todo o dinheiro necessário durante seus anos de trabalho, correria o risco de a inflação desvalorizar as suas economias – e, no fim das contas, perderia dinheiro. Para evitar que isso aconteça, a saída é investir esse dinheiro. E a previdência privada pode ser a melhor alternativa para você.

Mas existem algumas coisas que você precisa saber antes de investir seu dinheiro em uma previdência privada. Para te ajudar, juntamos as informações mais importantes para você conseguir tomar essa decisão com mais segurança.

Neste texto, você vai ler sobre:

  • 1. O que é previdência privada;
  • 1.1 Previdência privada: como funciona;
  • 2. Previdência privada: vale a pena?
  • 2.1 Rendimento da previdência privada;
  • 2.2 Previdência privada ou tesouro direto?
  • 3. Planos de previdência privada;
  • 4. Simuladores de previdência privada;
  • 5. Melhor previdência privada;
  • 6. Como declarar previdência privada no imposto de renda;
  • 7. Portabilidade da previdência privada;
  • 8. Resgate da previdência privada;
  • 8.1 Resgate antecipado;
  • 9. Como cancelar a previdência privada;

Boa leitura!

1. O que é previdência privada

Previdência privada – também conhecida como previdência complementar – é um tipo de aplicação financeira. Trata-se de uma modalidade de investimento a longo prazo com o qual se pretende garantir uma renda mensal após o período de investimento.

Na maioria das vezes, os planos de previdência privada são utilizados para aposentadoria, mas também podem ser utilizados para outras finalidades, como abrir um negócio, investir na educação dos filhos ou pagar dívidas.

Porém, como se trata de uma aplicação de longo prazo, seu uso, em geral, só se dará depois de muitos anos. Por esse motivo ela é a aplicação preferida no planejamento para aposentadoria.

De qualquer forma, ela não substitui o benefício pago pela Previdência Social, mas serve como um complemento, chegando a pagar até mais do que o valor concedido pelo estado.

Mas é importante lembrar também que a Previdência social, assim como outros tipos de investimento, não possui nenhuma garantia de rentabilidade. Ou seja, você pode vir a perder rendimentos. Por isso é preciso pesquisar bastante sobre a instituição com a qual você pretende contratar um plano de previdência privada e analisar seu histórico de rendimentos.

1.1 Previdência privada: como funciona

1.1 Previdência privada: como funciona

A aplicação da previdência privada pode ser dividida em dois momentos:

  • O momento da Fase de acúmulo: Período em que a pessoa que contrata o serviço depositará mensalmente uma quantia pré-estabelecida. Normalmente dura de 20 a 35 anos.
  • O momento da Fase de renda:Período em que a pessoa recebe mensalmente parcelas do dinheiro aplicado e de seus rendimentos.

Por exemplo, uma pessoa que optou pela Previdência privada deposita mensalmente, durante 30 anos, o valor de R$ 300,00. Ao final, o valor total dos depósitos será de R$ 108.000,00. Porém, além desse valor, ela terá também o total dos rendimentos do período.

Isso porque o dinheiro depositado é aplicado pela instituição em aplicações de renda fixa (aplicações de rentabilidade previsível) e ações conservadoras (de baixo risco), geralmente, que prometem trazer rendimentos para o contratante.

Para ter uma ideia melhor dos valores que se pode conseguir com um plano de previdência privada, veja o tópico abaixo sobre simuladores de previdência privada

2. Previdência privada: vale a pena?

Logo de início, já responderemos essa pergunta: Sim, a previdência privada vale a pena, mas não em todos os casos.

Para entender se a previdência privada vale a pena para você, primeiro entenda se você:

  • Está buscando investimentos de longo prazo (mais do que 15 anos);
  • Tem ou não conhecimento sobre investimentos e/ou disposição para aprender;
  • Tem ou não disciplina para poupar, investir e administrar seus investimentos todo o mês;
  • É um trabalhador registrado CLT;
  • Faz ou não a declaração completa do seu imposto de renda.

Esses fatores vão influenciar se valerá ou não a pena para você investir num plano de previdência privada.

O primeiro item, sobre a longitude do prazo, é decisivo. Os planos de previdência privada só valem a pena no longo prazo. Portanto, caso você esteja procurando um retorno mais rápido, talvez seja melhor procurar outro tipo de investimento.

Por outro lado, a previdência privada é muito recomendada para quem não entende muito sobre investimentos e/ou planeja uma aposentadoria sem dores de cabeça e com tranquilidade.

Isso porque na “fase de renda” de seu plano de previdência privada, o dinheiro arrecadado será depositado todo mês em sua conta corrente, sem que você precise se preocupar em realizar transferências ou administrá-lo.

Por esse motivo também, esse tipo de investimento é o preferido na hora de planejar uma aposentadoria com tranquilidade.

Além disso, alguns planos previdenciários oferecem benefícios fiscais e revertem até 12% do valor que você pagaria de imposto ao governo (Para saber mais sobre esse assunto, veja abaixo nosso tópico sobre planos de previdência privada). Nesse caso, a previdência privada pode valer muito mais a pena do que outros tipos de investimento.

2.1 Rendimento da previdência privada

Rendimento da previdência privada

Os administradores dos planos de previdência privada costumam investir o seu dinheiro em aplicações de renda fixa e ações conservadoras (ou seja, aplicações e ações de baixo risco). Porém, é você quem determina na hora de contratar o plano de previdência privada qual será a modalidade – podendo escolher até investimentos mais arrojados (de maior risco e maior retorno), dependendo do seu perfil de risco.

De modo geral, as opções disponíveis no mercado acompanham o valor do CDI. O CDI nada mais é do que uma taxa que funciona como índice de referência de rentabilidade para a maioria de aplicações de renda fixa.

Porém, uma pesquisa de 2016 com dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e dos Capitais), relata que apenas 11% dos planos de previdência privada superaram o CDI. Ou seja, a rentabilidade do plano da maioria das administradoras foi muito pior do que outros investimentos em renda fixa.

Esta pesquisa, entretanto, foi realizada em 2016 e de lá para cá o mercado aumentou muito. Inclusive nos últimos meses, muitos planos de previdência superaram o CDI.

Em todo o caso, é preciso lembrar sempre que se deve verificar e analisar o histórico de rendimentos do seu plano de previdência para garantir que o seu dinheiro terá os rendimentos esperados.

Além disso, há também as taxas cobradas pelas administradoras dos planos de previdência privada. Deve-se prestar atenção a essas taxas, pois elas podem diminuir consideravelmente o rendimento das suas aplicações no longo prazo. Elas são as seguintes:

  • Taxa de carregamento: Essas taxas são cobradas cada vez que você aplica o dinheiro no plano de previdência privada. Elas normalmente variam de 0 a 3%. Ou seja, se você aplicar R$ 500,00 e a taxa for de 2%, por exemplo, o total aplicado será de R$ 490,00.
  • Taxa de administração: Esta taxa é cobrada em praticamente todo o plano de previdência privada (e alguns outros tipos de investimento). Como o nome diz, ela equivale à administração do plano, e incide sobre a rentabilidade total da aplicação. Normalmente, essa taxa varia entre 1,5% e 3% ao ano. É preciso ficar atento pois a taxa de administração tem grande impacto nos rendimentos da sua previdência privada.
  • Taxa de saída: Não é exatamente uma taxa, mas caso você queira realizar um resgate antecipado da sua aplicação saiba que provavelmente haverá uma cobrança de multa. Isso porque muitas seguradoras estabelecem prazos de carência para a realização de resgates.

2.2 Previdência privada ou tesouro direto?

Previdência privada ou tesouro direto: qual vale mais a pena? A resposta é depende. E vamos explicar o porquê.

Antes de tudo, porém, Você sabe o que é o tesouro direto?

O Tesouro direto é um programa do Tesouro Nacional que foi inaugurado em 2002 para incentivar e democratizar o acesso a investimentos em títulos públicos. Basicamente, ao investir em Tesouro direto, você estará aplicando em papéis da dívida pública.

Ou seja, você estará emprestando dinheiro para o Governo Federal e, em troca, receberá uma taxa de rendimento anual (os juros).

Como o Governo Federal é a instituição mais improvável de falir no território nacional, títulos do tesouro direto são considerados extremamente seguros.

Vantagens do Tesouro direto em relação à Previdência privada:

  • No tesouro direto não é preciso muito dinheiro para começar a investir. Existem títulos no valor de R$ 100,00, por exemplo.
  • Os rendimentos costumam ser maiores que a maioria dos planos de previdência privada, já que os ativos do Tesouro Direto têm rentabilidade que se aproxima de 100% do CDI.
  • Caso você precise do dinheiro de volta, pode vender seu título a qualquer momento. Aliás, até o próprio governo realiza a recompra dos títulos.
  • É o investimento mais seguro do país.
  • Não possui taxas de recarga.

Vantagens da previdência privada em relação ao tesouro direto:

  • Se você possui um plano PGBL (Veja mais no tópico sobre os planos de previdência privada), poderá ter benefícios fiscais. Ou seja, poderá abater até 12% de sua renda.
  • No longo prazo, a alíquota do imposto é menor do que em outros investimentos.
  • Há a opção de se fazer a portabilidade do plano de previdência. Caso você não esteja satisfeito com os resultados do seu plano, pode optar por trocar para outra instituição sem nenhuma multa.
  • Há maior comodidade, uma vez que não é preciso ter nenhum conhecimento sobre investimentos, já que haverá um gestor profissional responsável por acompanhar e administrar suas aplicações.
  • Caso o contratante morra, o beneficiário indicado em contrato poderá receber o benefício sem precisar fazer um inventário.

Então é preciso levar todos esses fatores em consideração na hora de decidir o que é mais vantajoso para você.

3. Planos de previdência privada

3. Planos de previdência privada

Primeiramente, existem os planos de previdência privada de entidades abertas e os planos de previdência privada de entidades fechadas, como os fundos de pensão. Os planos de previdência fechada nada mais são do que os planos contratados por uma empresa que são exclusivos para os seus funcionários – com condições e benefícios especiais.

Já os planos de previdência aberta são todos os outros oferecidos a qualquer cidadão por uma instituição financeira, seguradora ou corretora.

Os planos de previdência privada aberta são divididos em dois tipos: PGBL e VGBL.

Para saber qual é o mais adequado para você, é preciso levar em consideração como você realiza sua declaração anual de imposto de renda.

  • PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre): É um plano mais indicado para quem faz a declaração de IR completa. Isso porque ele permite que se faça a dedução das contribuições de até 12% da sua renda bruta anual tributável. Neste plano, a tributação será feita no momento do resgate sobre todo o montante investido.
  • VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre): É um plano mais indicado para quem faz a declaração simplificada do Imposto de Renda. Neste plano, as contribuições não podem ser abatidas da base de cálculo do Imposto de Renda. E a tributação ocorre no momento do resgate apenas sobre a rentabilidade do plano.

4. Simuladores de previdência privada

Existem muitos simuladores de previdência privada no mercado. O propósito deles é simular, com base em histórico de rentabilidade e taxas, quanto você conseguiria arrecadar se investir determinado valor.

Para te ajudar, vamos colocar aqui alguns simuladores de previdência privada que encontramos:

Esses simuladores são muito interessantes para se ter uma ideia do quanto é preciso investir para se garantir uma aposentadoria tranquila. Porém, lembre-se sempre de perguntar se todas as taxas estão incluídas na simulação para não ter nenhuma surpresa no final.

5. Melhor previdência privada

Não poderíamos dizer que existe uma previdência privada que seja melhor do que todas as outras, mas existe, sim, a previdência privada que é melhor para você.

Para saber qual é a melhor previdência privada para você, é preciso levar em conta os seguintes fatores:

  • O tipo de plano (VGBL ou PGBL), de acordo com a forma como você declara o IR;
  • O regime de tributação (progressivo ou regressivo) – caso você pretenda utilizar os recursos a longo prazo, pode ser melhor escolher o regime regressivo.
  • As taxas. Na maioria das vezes, o melhor é optar pela instituição com as menores taxas.
  • Histórico de rendimentos – é importante analisar cuidadosamente o histórico de rentabilidade do fundo de investimento que está vinculado ao plano escolhido. Dessa forma, será possível avaliar o desempenho da gestão, o gerenciamento dos recursos e o crescimento do patrimônio no longo prazo.

6. Como declarar previdência privada no imposto de renda?

6. Como declarar previdência privada no imposto de renda?

A resposta dependerá do tipo de tributação que você escolheu no momento da contratação do plano de previdência privada. Há dois tipos: Progressivo e Regressivo.

No plano progressivo, a renda será tributada diretamente na fonte e apenas na fase de renda (ou seja, de recebimento). Há uma tabela que estabelece o valor da alíquota de acordo com cada faixa de valores mensais.

O plano regressivo é mais indicado para quem deseja fazer um plano de previdência a curto prazo ou já está próximo de se aposentar.

Já no plano regressivo, a alíquota do IR diminui progressivamente conforme os anos de contribuição vão passando. Ou seja, quanto maior o prazo de contribuição, menor a alíquota de IR.

7. Portabilidade de previdência privada

Se você tem um plano de previdência privada e está insatisfeito com os resultados, você tem o direito de fazer a portabilidade, ou seja, transferir o seu plano para outra instituição sem precisar pagar multa por isso.

Porém, há algumas regras envolvendo a portabilidade:

  • A migração só é possível na fase de acúmulo do plano, jamais na fase de renda (ou seja, de recebimentos);
  • A migração deve ocorrer para o mesmo tipo de plano. Ou seja, se você tem um plano PGBL, deve migrar para outro PGBL;
  • Para pedir portabilidade, em geral, há um período de carência de 2 meses nos planos de previdência aberta e até três anos nos planos de previdência fechada;

8. Resgate da previdência privada

Existem quatro formas de se realizar o resgate da previdência privada:

  • Saque do valor total: caso você deseje adquirir um bem ou investir em um negócio;
  • Renda mensal temporária: para uma renda extra durante um período específico (como pagar a faculdade de seus filhos, por exemplo);
  • Renda mensal vitalícia: para assegurar a aposentadoria;
  • Renda vitalícia reversível ao beneficiário: nessa opção, caso o contratante venha a falecer, um percentual da renda será revertido a um beneficiário até a sua morte.;

8.1 Resgate antecipado

Há também os casos em que o contratante não quer continuar com os investimentos no plano de previdência privada e deseja resgatar antecipadamente o valor investido até então. Essa opção é possível, porém deve-se fazer algumas considerações.

Nesses casos, o contratante deve lembrar que como se trata de um investimento de longo prazo, os impostos, taxas e juros que são aplicados que valeriam a pena no final do prazo estipulado, podem fazer com que você perca dinheiro.

Além disso, o contratante que optou pela modalidade regressiva de tributação será severamente penalizado caso faça o resgate antecipado da previdência privada.

Por fim, deve-se também levar em consideração que muitas instituições estabelecem um período de carência mínimo em que o dinheiro deve permanecer na instituição.

Como cancelar a previdência privada

Como cancelar a previdência privada

Verifique com a instituição do seu plano de previdência privada se há um período de carência e, portanto, se haveria alguma multa no caso de resgate antecipado.

É importante, porém, ficar atento ao tipo de regime de tributação escolhido na contratação do plano. Caso você tenha optado pelo plano regressivo, pode não ser vantajoso fazer o cancelamento. Por isso é preciso estudar com cuidado suas opções.

O que achou deste conteúdo? Caso tenha ficado com alguma dúvida sobre previdência privada, entre em contato conosco. Nós do Bom pra crédito podemos tirar todas as suas dúvidas!

Solicite seu empréstimo pessoal