IPCA acumulado, entenda o que é e como isso faz parte da sua vida

Larissa Carvalho

| 10 minutos para ler

imagem de homem de camisa branca e gravata preta sentado em frente ao seu computador coim semblante confuso

Resumo da matéria

  • IPCA Acumulado e inflação anual
  • Tabela IPCA acumulado
  • IPCA nos últimos anos
  • Como é medido o IPCA
  • Inflação e Taxa SELIC
  • Diferenças entre IPCA e o INPC
  • Seu investimento e o IPCA
  • NTN-B Principal - Tesouro IPCA
  • NTN-B - Tesouro IPCA com Juros semestrais
  • LCI - Letra de Crédito Imobiliário
  • LCA - Letra de Crédito do Agronegócio

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Saiba mais sobre inflação mês a mês e acumulada anualmente, e como ela impacta o seu bolso

Você sabe o que é IPCA? O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mede a variação dos preços de produtos e serviços para o consumidor final. Ele afeta a vida das pessoas que investem e da população em geral. Por isso, é essencial compreendê-lo e saber como usá-lo para proteger o seu dinheiro.

O IPCA é também considerado como o principal indicador para a taxa de inflação do Brasil.

Sendo assim, saber como anda a inflação e suas variações é muito útil para cuidar melhor do seu dinheiro. Continue a leitura e você irá entender melhor o que é IPCA, como ele é calculado e como ele interfere no seu bolso e nos seus investimentos.

IPCA Acumulado e inflação anual

O IPCA é obtido a partir da coleta de preços ao longo dos dias de um mês. Esses valores são comparados com o período base anterior, sendo calculada a taxa que indica a inflação no país.

As taxas mensais do índice podem ser somadas, e assim, se obtém a taxa de aumento dos preços para o ano, ou seja, a inflação acumulada para o período anual.

homem de blazer cinza sentado em frente a parede verde usando um tablet

Leia mais: O que é inflação e como ela pode afetar a saúde da sua vida financeira

Tabela IPCA acumulado

Tabela IPCA 2020

Mês Valor Mensal (%) Acumulado no ano (%)       Acumulado dos últimos 12 meses (%)

JAN       0,21                                     0,21                                           4,19

FEV       0,25                                     0,46                                           4,01

MAR       0,07                                     0,53                                           3,30

ABR       -0,31                                     0,22                                           2,40

MAI       -0,38                                     0,16                                           1,88

JUN       0,26                                     0,10                                           2,13

O IBGE disponibiliza os valores para o IPCA do mês, analisado no mês anterior, apresentando também o acumulado dentro do ano e o dos últimos 12 meses.

Em 2019 a inflação acumulada foi de 4,31% no ano:

Tabela IPCA 2019

Mês Valor Mensal (%) Acumulado no ano (%)      Acumulado dos últimos 12 meses (%)

JAN         0,32                       0,32                                             3,78

FEV         0,43                       0,75                                             3,89

MAR         0,75                       1,51                                             4,58

ABR         0,57                       2,09                                             4,94

MAI         0,13                       2,22                                             4,66

JUN         0,01                       2,23                                             3,37

JUL         0,19                         2,42                                               3,22

AGO         0,11                         2,54                                               3,43

SET         -0,04                         2,49                                               2,89

OUT         0,10                         2,60                                               2,54

NOV         0,51                         3,12                                               3,27

DEZ         1,15                         4,31                                               4,31

Além de definir a inflação para o país, o IPCA também serve como meta a ser seguida pela política monetária do Banco Central.

Em 2020 a meta de inflação é de 4,0% no ano, com um mínimo de 2,5% considerando a margem de 1.5 percentuais.

Os valores dos últimos anos são apresentados abaixo:

IPCA nos últimos anos

Ano Inflação acumulada (%)

2018             3,75

2017             2,95

2016             6,29

2015           10,67

2014             6,41

2013             5,91

2012             5,84

2011             6,50

2010             5,91

2009             4,31

2008             5,90

2007             4,46

2006             3,14

2005             5,69

Vale lembrar que a maior inflação brasileira foi de 2.477,15% no ano de 1993, pouco antes do Plano Real.

Esse acompanhamento é essencial para entender o crescimento ou a baixa dos preços ao longo dos anos. Mas como isso funciona?

Conforme os meses vão passando, as variações do IPCA se acumulam com o mecanismo de juros compostos.

Esse acúmulo dá origem ao que chamamos de IPCA acumulado, que permite ver a inflação total dentro do período analisado, por exemplo um mês, três meses ou até um ano.

Mas o que isso significa, no final das contas? Imagine que o valor do índice foi de 0,30% em janeiro e de 0,70% em fevereiro.

Partindo desse exemplo, também é possível apontar que houve uma alta de aproximadamente +0,40% na inflação de um mês para o outro.

Nesse caso, o valor acumulado de janeiro e fevereiro é de aproximadamente 1,00%.

Em março, se o IPCA for de 1,20%, utilizando o mecanismo de juros compostos o acumulado pulará para 2,21% , e assim por diante até chegar em dezembro.

Por convenção, geralmente se mede o valor da inflação acumulada não só no ano, mas também nos últimos 12 meses.

Como é medido o IPCA

Este índice é produzido pelo IBGE a partir do Sistema Nacional de Índices de Preços ao Consumidor (SNIPC).

Ele analisa estabelecimentos comerciais e de prestações de serviços, em diferentes regiões metropolitanas do Brasil.

O foco deste índice feito pelo IBGE, são os bens destinados a consumidores e suas famílias, com rendas entre um e 40 salários mínimos e suas despesas no mês.

As despesas consideradas são divididas em grupos que fazem parte do orçamento familiar:

  • Alimentação e bebidas: coleta dados sobre preço de panificados, leites e derivados, condimentos, bebidas, carnes, frutas, cereais, açúcares, etc.
  • Transportes: leva em consideração custos com combustível, transporte público e transporte particular.
  • Habitação: agrega preços de aluguéis, taxas, manutenção, energia elétrica, reparos, entre outros. 
  • Saúde e cuidados pessoais: considera gastos com serviços médicos, dentários, óticos, laboratoriais, farmacêuticos e afins.
  • Despesas pessoais: utiliza informações sobre atividades de lazer, fotografia, fumo e outras despesas pessoais.
  • Vestuário: abrange valores de roupas femininas, masculinas, infantis, calçados, tecidos e acessórios.;
  • Artigos de residência: a coleta observa valores de móveis, eletrodomésticos, cama, mesa, banho, consertos, etc.
  • Educação: são coletados preços cobrados por cursos, livros e materiais de papelaria.

Além da variação dos preços, também são considerados os pesos que cada uma dessas despesas possuem dentro do orçamento familiar.

Pelos valores do IPCA dizemos que, quando ele aumenta, os preços aumentaram com mais intensidade, e quando diminui significa que os preços cresceram com menor intensidade.

Se acontecerem valores negativos, houve uma deflação, ou seja, os preços realmente caíram.

Inflação e Taxa SELIC

Ao servir como a inflação oficial, indica o quanto alterou o poder de compra dos consumidores dentro do período estabelecido.

O mesmo serve como indicador para quem faz uma aplicação financeira, por exemplo.

O IPCA serve, por exemplo, para a determinação da taxa básica de juros, SELIC. A partir dela é que se determina a remuneração de investimentos ou as taxas de empréstimos.

A tabela IPCA pode ser utilizada para entendermos o momento do mercado — seja para comprar itens básicos do dia a dia, ou para aplicar no Tesouro Direto, por exemplo.

Aos poucos, você será capaz de perceber se vale a pena investir em um título ou em outro, analisando os índices do mercado.

Saber qual é o cenário atual do Brasil ainda é útil para decidir entre comprar ou não determinado produto, ou seja, se o valor dele é realmente justo ou está mais caro que o normal.

Enfim, já deu para entender que seguir esse índice de perto é uma prática vantajosa por uma série de motivos, não é?

Diferenças entre IPCA e o INPC

O sistema de coleta do IBGE também realiza nos estabelecimentos o levantamento dos preços para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).

A diferença é que a população pesquisada apresenta rendimentos entre 1 e 5 salários mínimos.

Ao considerar uma faixa salarial menor, existe mais intensidade na variação dos preços às famílias de rendas mais baixas, principalmente entre setores mais básicos, como o de alimentação.

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Confira também: Vício em compras: 07 dicas para acabar com ele agora

Seu investimento e o IPCA

Como dissemos ao longo do texto, alguns investimentos, especialmente títulos de renda fixa, têm a sua remuneração baseada no índice IPCA, como é o caso de alguns títulos do Tesouro Direto.

O título público do Tesouro IPCA exemplifica isso muito bem, porque oferece uma rentabilidade convidativa e diretamente associada às mudanças da inflação.

Tenha em mente que o índice não é uma aplicação por si só. Na verdade, o que acontece é que o rendimento de alguns títulos são ligados a esse indicativo. Portanto, você não investe no IPCA, mas sim em um título vinculado a ele.

Os títulos atrelados a esse indicador costumam ser vantajosos para quem deseja investir com segurança, pensando especialmente em prazos mais longos.

Afinal, em condições normais, eles têm rentabilidades que ficam acima da inflação ou, no mínimo, conseguem acompanhá-la.

Confira, a seguir, os principais investimentos atrelados ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo:

NTN-B Principal – Tesouro IPCA

Essa aplicação é um investimento híbrido do Tesouro Direto. Isso significa que sua rentabilidade está atrelada à variação do índice e a uma taxa de juros prefixada, que já fica definida no momento da compra do título.

NTN-B – Tesouro IPCA com Juros semestrais

Funciona de maneira semelhante ao título principal. Porém, como o próprio nome já indica, o pagamento dos juros é feito a cada seis meses.

LCI – Letra de Crédito Imobiliário

Esta é uma aplicação ligada ao mercado imobiliário. As LCIs híbridas têm um funcionamento parecido com o Tesouro IPCA — a rentabilidade é determinada pela variação do IPCA e por um valor fixo definido com antecedência.

LCA – Letra de Crédito do Agronegócio

A LCA é uma boa maneira de investir no agronegócio. Também tem uma modalidade híbrida, que está atrelada ao IPCA.

Apesar disso, encontrar LCAs nessa categoria é um pouco difícil e elas, geralmente, têm prazo de vencimento maior.

Um ponto interessante de um investimento ligado ao IPCA é que ele pode funcionar como uma compensação financeira nos momentos de alta da inflação.

Isto é, quando o IPCA subir, seus títulos em renda fixa podem ser a saída ideal para que você tenha uma boa rentabilidade e não perca dinheiro.

Muitas dessas aplicações costumam ser híbridas, isto é, seguem a variação do IPCA junto a um outro percentual fixo.

Em termos resumidos, essa mistura é positiva porque o seu poder de compra é mantido, mesmo em momentos de forte alta da inflação.

Conforme seu capital consegue acompanhar a inflação, a tendência é que ele se mantenha valorizado. Veja: caso seu dinheiro investido em um título sem ligação com o IPCA vá de R$100,00 para R$120,00, esse ganho de R$20,00 não necessariamente acompanhou a inflação.

Apesar de ter rendido esse montante, não significa que ele valha isso na prática. A prova disso é que você não consegue comprar todos os itens no supermercado com o mesmo valor sempre.

Quem nunca se pegou pensando que quando era criança conseguia comprar um saco de pão com apenas algumas poucas moedinhas e hoje elas não compram quase nada?

O rendimento da Poupança, por exemplo, não está tão associado à inflação e, geralmente, não oferece essa possibilidade.

Com isso, acaba ficando abaixo do valor real — aquele que você sente diretamente nas contas do mês. Por consequência, a caderneta normalmente não é a melhor opção de investimento.

Ou seja, é válido tomar conhecimento do IPCA até mesmo para analisar os aportes que não estão diretamente ligados a ele.

Se um investimento não consegue acompanhar a inflação, especialmente quando ela tende a subir, ele pode não ser uma boa escolha.

Por isso, o IPCA é um reflexo direto do custo de vida do brasileiro e acompanhá-lo ajuda a entender melhor como cuidar do seu dinheiro.

E além disso, é preciso destacar também o quanto este índice influencia o mercado financeiro. Para quem investe, é extremamente importante entender o que é IPCA e seus impactos em cada tipo de investimento.

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