Inadimplência: O que é, Sinônimos, Principais Causas e Como Sair

Larissa Carvalho

| 10 minutos para ler

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Quem assiste ao noticiário certamente já se deparou, inúmeras vezes, com a palavra “inadimplência” em algum momento.

São milhões de consumidores que não conseguem pagar as suas contas no dia determinado e acabam tendo algumas complicações financeiras.

Quem está passando por isso precisa tentar resolver esse problema do modo mais rápido possível.

Afinal, são diversas as complicações que uma dívida pode trazer, como o corte na prestação de serviços, o “nome sujo” e a dificuldade de comprar algo parceladamente.

Se você está inadimplente ou quer saber de dicas para não ficar, siga a leitura deste artigo e confira as sugestões:

O que é inadimplência?

Chama-se de inadimplência quando você tem uma conta ou dívida e não a paga, não negocia ela ou então deixa o valor em aberto.

Também pode ser entendida como o descumprimento de um contrato ou uma obrigação financeira prevista em contrato.

Quando isso acontece, a pessoa pode ficar com o seu nome sujo  e ter a sua vida financeira complicada.

A inadimplência pode ser causada por diferentes motivos, como a falta de dinheiro, o esquecimento da data de vencimento de uma conta, a perda de um emprego, o descontrole financeiro, entre outros.

Sinônimos de inadimplência

Podem ser usados como sinônimos de inadimplência os seguintes termos:

  • Descumprimento.
  • Inexecução.
  • Insolvência.
  • Insolvabilidade.
  • Inadimplemento.
  • Descumprimento.

É importante ter em mente que inadimplência e dívida são coisas diferentes, apesar de parecerem sinônimos.

Inadimplência é quando você deveria pagar algo com o que se comprometeu e não o fez até a data de vencimento.

Por exemplo: a sua conta de internet venceu na sexta-feira, dia 13, e sábado, dia 14, você ainda não a pagou. Isso é inadimplência. A conta venceu e não foi quitada.

Já a dívida ou endividamento é quando você tem parcelas que vão vencer e terão de ser pagas, mas que não estão atrasadas.

Por exemplo: se você financiou uma casa e ainda tem 20 parcelas para pagar nos próximos meses, você está endividado, porém, como pagou as anteriores em dia, não está inadimplente.

O que acontece se você ficar inadimplente?

O que acontece se você ficar inadimplente

O não pagamento de determinada conta na data de vencimento traz diversos problemas a serem enfrentados, como multas, juros e, em casos mais graves, até penhora de bens.

Conheça as principais consequências da inadimplência:

Nome Sujo no SPC e Serasa

Um débito em atraso é suficiente para que o seu nome possa ser inserido no sistema de proteção ao crédito brasileiro.

Isso pode ser feito no dia seguinte ao do vencimento. Porém, em geral, as empresas tentam manter um bom relacionamento com o cliente e ligam para ele cobrando ou avisando que há contas em atraso.

Isso é feito porque a ideia é manter a pessoa consumindo o seu produto ou serviço e por entender que pode ter apenas acontecido um esquecimento.

Porém, quando a cobrança não surte efeito, os sistemas de proteção ao crédito, como Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e o Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC), são comunicados.

Cabe a eles, então, enviar uma carta para o consumidor avisando que há uma pendência e que o seu nome pode ser negativado, caso não seja quitada.

Da data de envio dessa carta em diante, o consumidor tem 10 dias para pagar a conta ou entrar em contato com a empresa credora para tentar um possível parcelamento.

Porém, se nesse prazo isso não for feito, o consumidor poderá ter o nome incluído nos cadastros de inadimplência, ou seja, ter o nome negativado, que popularmente é conhecido como “nome sujo”.

Uma vez cadastrada a dívida, ela fica lá por cinco anos, e depois é retirada.

Porém, a dívida continua ativa. Já se o consumidor pagar o que deve ou negociar o pagamento, a empresa tem de 3 a 5 dias úteis para retirar o nome dele do sistema de proteção ao crédito.

Restrições de crédito

Como consequência do “nome sujo”, o consumidor inadimplente passa a ter restrição de crédito.

Isso acontece até com pessoas que têm um histórico impecável de pagamento e estão com o CPF negativado pela primeira vez.

Por isso, essa pessoa terá dificuldade de pagar uma compra usando cheque, alugar um imóvel, conseguir um empréstimo e até abrir conta em banco.

Problema judicial

A ação judicial é outra alternativa que a empresa ou o banco tem para cobrar devedores.

Em geral, isso só é feito em último caso e, quando o consumidor perde, ele pode ter os seus bens penhorados ou a conta bancária bloqueada.

Embora a ação possa envolver dívidas de qualquer valor, em geral, as empresas só optam pela ação judicial se o valor da dívida for muito grande, por causa dos altos custos do processo.

Além disso, se a dívida já tem mais de cinco anos, embora ela continue existindo, a empresa não poderá mais entrar com a ação, de acordo com o que estabelece o Código de Defesa do Consumidor.

Juros

Juros

Esses sempre são cobrados e basta atrasar a conta um dia apenas para notar que haverá um valor a mais.

O juro moratório, que é o de atraso, é de 2% sobre o valor da parcela devida.

Já os percentuais de juros compensatórios, que servem para compensar a empresa pelo atraso, variam muito.

Serviços suspensos

Outra consequência frequente do não pagamento de uma conta é ter os serviços suspensos, quando for o caso.

O prazo para corte varia de acordo com o serviço. No caso de água e luz, o fornecimento poderá ser suspenso após 90 dias de atraso, e o cliente deve ser notificado com 15 dias de antecedência.

Já no caso de serviços considerados não essenciais, como internet e telefone, eles poderão ser cortados após 15 ou 30 dias de atraso no pagamento da conta, dependendo do caso, desde que a notificação tenha sido feita com a antecedência de 15 dias.

Como a inadimplência pode afetar sua vida?

Quando uma pessoa fica devendo, ou seja, não paga a conta na data certa e fica inadimplente, ela poderá ficar com o “nome sujo”, pagar juros, ter serviços essenciais cortados e ter dificuldade de obter crédito.

Com isso, terá dificuldade até de abrir conta em banco ou parcelar uma compra por meio de cheque.

Conseguir um empréstimo pessoal também poderá ficar mais difícil, e colocar a vida financeira em ordem novamente dependerá de muita disciplina.

Dicas para sair da inadimplência

Agora que você já sabe que inadimplente é quem tem conta atrasada, mesmo que seja um dia só, que esse atraso pode trazer diversos problemas para a vida pessoal, é hora de fazer o possível para colocar a vida financeira em dia.

Veja algumas dicas para “limpar” o nome e voltar a ter crédito:

Quite dívidas de juros altos com um empréstimo pessoal

Quite dívidas de juros altos com um empréstimo pessoal

Comece pagando o que tem juros mais alto, mesmo que, para isso, você precise fazer um empréstimo pessoal.

As taxas de juros do empréstimo pessoal geralmente são menores que os juros de cheque especial ou cartão de crédito, por exemplo

As taxas de juros altas vão dificultar ainda mais o pagamento da dívida.

Por isso, as faturas com altas taxas devem ser as primeiras a serem pagas. Uma delas é a do cartão de crédito, que merece a sua atenção.

Para ajudar você a se organizar, preparamos alguns passos:

  • Liste todas as suas dívidas e consulte o seu nome: veja se já está na lista de inadimplentes e qual empresa o inscreveu no SPC ou na Serasa.
  • Anote todas as dívidas em aberto: é importante ter uma imagem real do que está acontecendo, para que você possa negociar e programar os pagamentos.
  • Entre em contato com as empresas: agora que você já sabe para quem deve, ligue e pergunte sobre o valor da dívida. Anote tudo para poder se programar. Pergunte também sobre o valor para quitá-la de uma só vez.
  • Vá com calma: sinalize para a empresa que você quer pagar sua dívida, mas não aceite a primeira proposta, você precisará se programar e saber o que caberá em seu orçamento. Em princípio, apenas agradeça e diga que vai avaliar e entrar em contato depois.
  • Veja quanto sobra do orçamento: pegue o que você ganha, subtraia os seus gastos mensais e veja quanto vai sobrar para pagar as prestações e quitar as dívidas.
  • Procure alternativas: pesquise sobre empréstimos pessoais e verifique as taxas de juros. Em geral, são menores do que as das dívidas acumuladas. Considere fazer um empréstimo que seja suficiente para pagar tudo o que você deve e que tenha parcelas que caibam em seu orçamento.
  • Contraproposta: conseguiu o empréstimo total? Ligue para a empresa para a qual você deve e faça uma contraproposta, diga que quer pagar à vista e negocie um valor menor.
  • Cumpra o pagamento: negociou e deu certo? Pegue o dinheiro do empréstimo e pague tudo o que deve. Depois, não se esqueça de se programar para pagar as parcelas do empréstimo e finalizar a sua dívida.

Use uma planilha para controlar seus gastos

Para você ter o dinheiro para pagar o empréstimo pessoal e não voltar a ficar inadimplente, é preciso ter controle financeiro. Por isso, é essencial mudar a forma de lidar com os seus gastos. Veja dicas:

  • Anote tudo: tenha uma planilha de gastos e anote todas as suas contas e pagamentos feitos no mês. Para onde vai o seu dinheiro?
    • A planilha de gastos vai ajudar a visualizar os gastos, saber onde cortar e garantir que você não vai se esquecer de pagar nada.
  • Trace uma meta: quanto você quer e precisa economizar por mês para sair do sufoco e pagar o empréstimo pessoal? Crie uma meta a fim de que possa criar estratégias para gastar menos ou ganhar mais.
  • Corte gastos desnecessários: diminua o gasto de água, de energia, evite comprar mais produtos do que precisa no supermercado e opte por marcas mais baratas. Lembre-se de que você só conseguirá sair da inadimplência com muita disciplina.
  • Busque uma renda extra: procure também uma alternativa de renda para aumentar o orçamento e passar por esse período da maneira mais amena possível.

Crie metas financeiras para sair da Inadimplência

Além de anotar tudo, conter os gastos e pagar as parcelas do empréstimo pessoal ou das dívidas, crie metas.

Comece a planejar, depois que organizar as dívidas e quitar tudo, a compra de um carro ou uma viagem, isso ajudará você a evitar gastos desnecessários e o ensinará a poupar.

Evite a compra de itens desnecessários

Evite a compra de itens desnecessários

Quantas vezes você já não foi ao supermercado buscar algo específico e voltou com outros itens que não eram essenciais e sim de luxo?

Será que esse gasto era realmente necessário ou foi impulsivo?

Quem quer pagar as dívidas, sair da inadimplência e dormir mais tranquilo precisa ter controle financeiro. Só compre o que realmente precisar.

Se for ao supermercado, por exemplo, leve uma lista de compras e a siga à risca, sem colocar nada a mais no carrinho.

Além disso, pesquise preços em mais de um local e veja até marcas que possam oferecer um produto de qualidade por preço menor. A ideia é poupar!

Crie uma reserva financeira para emergências

Emergências sempre podem acontecer e, quando você não está preparado para elas, acaba ficando inadimplente.

Por isso, além de se preocupar em pagar as dívidas, comece a aprender a economizar dinheiro.

Não importa o valor, mas faça o possível para, além de pagar o empréstimo pessoal ou os acordos feitos com as empresas, guardar um pouquinho. Assim, quando um novo imprevisto acontecer, você já estará preparado e não passará por tudo outra vez.

Inadimplência no Brasil

Inadimplência no Brasil

Dados do Indicador de Inadimplência da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) mostram que o número de consumidores brasileiros que terminaram 2018 inadimplentes subiu 4,41%, se comparado com o do ano anterior.

Essa foi a maior porcentagem desde 2012, quando a elevação foi de 6,8%.

Enquanto em 2017 o volume de dívidas caiu, em 2018 elevou-se 2,75%.

De acordo com os Dados do Indicador de Inadimplência da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), no geral, cada pessoa inadimplente tem duas pendências financeiras, ou seja, deve para duas empresas que já a incluíram no serviço de proteção ao crédito.

Qual o perfil do consumidor inadimplente?

A maioria dos inadimplentes têm entre 30 e 39 anos; em dezembro de 2018, 52% da população com essa idade estava com o nome sujo, totalizando 17,8 milhões de pessoas, segundo Dados do Indicador de Inadimplência.

Com idade entre 40 e 49 são 50%, enquanto o grupo de 25 a 29, 44%. Os mais novos – entre 18 e 24 anos – têm taxa menor, 17%.

Já entre os adultos com mais idade, de 65 a 84 anos, a inadimplência é de 32%.

Principais tipos e causadores de inadimplência

Principais tipos e causadores de inadimplência

Uma pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito mostra que a maioria (58%) das pessoas que fez crediário em 2018 atrasou as prestações.

O número é grande também quando se fala em inadimplência por cartão de crédito. Os dados apontam que 48% deixaram de pagar as faturas.

O cheque especial foi outro vilão, mas em menor porcentagem.

Dos que foram ouvidos no levantamento, 30% ficaram sem pagá-lo. A pesquisa ouviu 910 pessoas com idade acima de 18 anos, em todas as regiões do país.

Inadimplência do Fies

O Fies (Fundo de Financiamento Estudantil), como o nome já diz, é um financiamento e, se não for pago, poderá deixar a pessoa com o nome sujo.

O pagamento deve começar após 18 meses da conclusão do curso.

Quando isso não for feito, o nome dos estudantes e dos fiadores pode ser incluído no SPC, Serasa e Cadin (Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal).

Inadimplência em condomínios

O não pagamento do condomínio pode gerar multas, protesto de boletos vencidos e penhora.

No geral, quando não é possível fechar um acordo para pagamento, o caso segue para a justiça.

Inadimplência bancária

É o mais comum no Brasil e trata-se do não pagamento das parcelas de um financiamento, do cheque especial ou do valor do cartão de crédito.

Os juros altos fazem com que, se o acordo não for feito logo, a dívida aumente muito e fique mais difícil ser quitada.

A pessoa que fica devendo para o banco pode ter o nome inscrito na Serasa.

Conclusão

Conclusão

Para sair da inadimplência, é preciso controlar a sua vida financeira.

E saber para onde o dinheiro está indo e procurar poupar é o primeiro passo. Isso pode ser feito com ajuda de planilhas e conscientização de toda a família.

Todos precisam entender que cada real é importante para que o orçamento doméstico volte a ficar equilibrado e viagens ou aquisições possam acontecer futuramente

Além disso, é importante procurar um empréstimo pessoal, como o que o Bom Pra Crédito oferece, com taxas de juros mais acessíveis e parcelas que cabem no seu orçamento.

Só assim você poderá voltar a ser um bom pagador, tirar o nome do SPC e Serasa, e ter um bom relacionamento com bancos e instituições financeiras de todo o Brasil.

Programe-se, fique atento a cada gasto e transforme-se de um devedor em um bom pagador.