Dólar alto é bom ou ruim? Entenda agora o impacto na sua vida

Larissa Carvalho

| 4 minutos para ler

imagem ampliada de pessoa de terno contando dólares

Resumo da matéria

  • Pontos negativos da alta do dólar
  • Pontos positivos da alta do dólar

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O que há de bom e o que há de ruim nas variações do dólar

As frequentes altas na cotação do dólar, que tem atingido novos recordes semana após semana, têm gerado uma certa apreensão de setores do mercado, governo e consumidores. Mas, afinal, dólar alto é bom ou ruim?Não dá para prever quanto tempo vai durar a escalada da moeda americana, mas é possível listar alguns prós e contras desse preço.

Vale ressaltar que esses recordes da cotação do dólar correspondem aos valores nominais da moeda em comparação ao real.

Em termos práticos, a cotação de hoje é inferior às de 2002, por exemplo, porque há 17 anos de inflação acumulados que alterariam esses valores e também variações no poder de compra.

Há pontos bons e ruins para a alta do dólar, que vão além do incentivo para exportações e daquela viagem ao exterior que vai ficar mais cara. 

imagem de diversas notas de cem dólares sobrepostas

Leia mais: Vale a pena investir em dólar ou câmbio?

Pontos negativos da alta do dólar

Poder de compra: viagens para o exterior fatalmente ficarão mais caraa, assim como as compras que muitas pessoas planejam fazer fora do país.

O dólar mais alto reduz o poder de compra; de uma forma geral, aumenta o preço dos importados, seja o que se compra aqui ou o que se compra fora.

E essa ressalva sobre o que é comprado aqui no Brasil é importante, porque muito do que consumimos é suscetível a flutuações do câmbio.

Um exemplo é a gasolina. Há alguns anos, a Petrobras mudou sua política de preços para combustíveis e repassa reajustes mais frequentes às distribuidoras – e consequentemente aos postos – por causa da variação do preço internacional do petróleo, que é negociado em dólar.

Risco de alta da inflação: é imprevisível cravar quanto tempo essa alta do dólar vai durar, porque a escalada da moeda americana responde a uma série de fatores internos e externos.

Mas, um sinal de alerta que aparece é o risco de alta da inflação. Como atualmente a nossa taxa está muito baixa, o impacto deve ser menor.

O preço da gasolina, por exemplo, pode pressionar o resultado da inflação pontualmente.

O problema é caso a alta no câmbio persista. Hoje esse efeito é pequeno, porque, com a economia mais parada, as empresas não repassam o aumento do custo das matérias-primas para o preço final.

Se a economia retoma, aí podemos ter um problema de efeito de câmbio na inflação.

É preciso estar atento ao comportamento do Banco Central, que está promovendo leilões da moeda americana para controlar o câmbio, e à conjuntura econômica.

Se o dólar ficar em patamar elevado por muito tempo, mesmo que tenha um nível de atividade mais baixo, pode bater na inflação e vai influenciar bastante.

Dívidas em dólar: esse é um ponto que afeta principalmente as empresas que possuem dívidas em dólar, mas geram receitas em real.

Para essas empresas, um fator muito importante é o endividamento em dólar.

É uma questão chave e que pode afetá-las muito negativamente, já que terão que gerar mais receita para cumprir os compromissos.

imagem ampliada de executivo de terno segurando um bolo de notas e fazendo contas em uma calculadora

Leia mais: A taxa de câmbio para cartão no exterior mudou. Você sabe o que isso quer dizer?

Pontos positivos da alta do dólar

Estímulo às exportações: a alteração no câmbio tem um efeito de estímulo às exportações que tende a ser mais positivo do que negativo, por exemplo, no caso da exportação de carne.

A China vem enfrentando um problema de peste suína, o que a levou a comprar mais carne bovina do Brasil.

É positivo porque vamos exportar mais e com o dólar mais alto; recebemos um volume maior em dinheiro.

No geral, é esse pagamento com uma moeda mais valorizada que traz o benefício.

No entanto, esse quadro não se aplica a todas as exportações nacionais. Um exemplo é a soja.

O principal comprador do grão brasileiro é a China. Mas, em meio à guerra comercial com os Estados Unidos, os chineses passaram a importar mais soja dos americanos do que a nacional.

Essa redução da importação da soja brasileira acaba fazendo com que a alta do dólar não tenha um efeito tão relevante.

Demanda de produção interna: as importações estando mais caras é ruim para o consumidor, mas pode ser positivo para alguns setores industriais.

Em que pese que para quem importa máquinas e equipamentos e outros produtos, que vão pagar mais caro por eles, há um ponto positivo no estímulo de demanda da economia.

Isso acontece porque se há redução na importação, consequentemente é preciso comprar mais bens produzidos no mercado interno.

A oscilação do câmbio é ruim porque gera incerteza e prejudica em algum grau tanto importadores quanto exportadores, mas no atual momento da economia brasileira pode ser vista como algo positivo.

Se esse nível mais depreciado do câmbio é mantido, acaba estimulando a indústria do Brasil.

A depender do tempo, se tivermos apreciação ou depreciação, é possível mudar a estrutura produtiva. 

Pelo visto, por ora é melhor adiar aquela viagem para o exterior para um momento em que o dólar não estiver tão caro.

Enquanto isso, vamos torcendo para que a escalada da moeda americana se estabilize e para que o país saia ganhando nesse cenário. 

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