Consórcio ou financiamento, qual é o melhor para você agora

Larissa Carvalho

| 11 minutos para ler

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Confira tudo – tudo mesmo! – sobre consórcio e financiamento e tire suas dúvidas!

Ao preferir comprar um bem ou serviço de valor elevado, um dos critérios fundamentais é a escolha da forma de pagamento. Para ajudar na aquisição, é comum considerar alternativas como consórcio ou financiamento.

Você sabe qual é mais vantajoso? Trata-se de uma pergunta comum, mas, para respondê-la, é necessário compreender como essas duas modalidades de crédito funcionam na prática, bem como os pontos positivos e negativos de cada uma.

Pensando nesses questionamentos, elaboramos este guia comparativo sobre essas duas formas de conseguir dinheiro. Acompanhe a leitura e descubra como escolher entre consórcio ou financiamento.

O consórcio

O termo consórcio veio do latim e pode significar “associação”, “parceria” ou “sociedade”.

Ou seja, a sua própria origem já indica o que é consórcio: um agrupamento de pessoas que se junta em prol de algo em comum, que é a compra de um bem específico.

A lógica por trás de tudo isso é exatamente o movimento de grupo. Ao reunir os interessados pela mesma causa, é possível acumular condições favoráveis para consegui-la.

Dessa forma, todos os integrantes contribuem mensalmente para um fundo destinado à compra daquele bem comum visado pelo grupo.

Esses pagamentos custeiam a entrega daquele bem para os consorciados, até que todos sejam premiados.

Para gerenciar todo o processo, administrar o dinheiro e as entregas, existem instituições especializadas.

Essas empresas recebem uma taxa de administração do grupo, a fim de garantir que todos os seus participantes sejam contemplados no momento certo e também paguem as suas mensalidades em dia.

Com isso, a relação ganha-ganha se torna evidente. A administradora do consórcio ganha pelo serviço prestado, e todos os membros conseguem comprar o que desejam e com total segurança do seu investimento, sem ter de pagar taxas ou juros elevados.

homens de terno sentados a uma mesa checando valores em uma folha e com um laptop ao lado

Leia mais: Fazer um consórcio de carros realmente vale a pena?

Como funciona

A primeira coisa a ser feita por quem quer fazer parte de um consórcio é encontrar uma instituição que administre toda a operação.

Segundo a Associação Brasileira de Consórcios (ABAC), existem mais de 100 empresas hoje no Brasil. Se a instituição não estiver presente na lista, melhor procurar outra.

Isso porque consórcios com entidades não cadastradas dificultam a reclamação por seus direitos em caso de problemas.

Antes de participar de uma operação desse tipo, certifique-se de que você está firmando contrato com uma marca honesta, que vai assumir os compromissos e agir com confiança e transparência.

Verifique o histórico da entidade para saber se ela acumula queixas em órgãos de defesa do consumidor e em sites como o www.consumidor.gov  e ReclameAQUI, destinados a apresentar e intermediar reclamações e problemas.

Nota: todo o sistema do consórcio é prescrito pela Lei 11.795 e supervisionado pelo Banco Central.

As taxas

Após fazer a escolha, é feito um contrato entre o consorciado e a instituição administradora.

É importante ler as cláusulas do documento com atenção (consulte um advogado, se for necessário), já que elas descrevem os seus direitos e deveres no consórcio.

Nelas também estarão informados os valores a serem pagos e recebidos. Por isso, não deixe passar nada despercebido.

O pagamento deve ser realizado todos os meses, respeitando os critérios previstos no contrato. Em geral, ele é constituído por quatro fatores:

Fundo comum: dinheiro destinado à compra do bem. É esse valor que paga os contemplados mensalmente.

Ele varia conforme o preço de mercado do bem comum e do período total do consórcio, além do número de consorciados.

Taxa de administração: valor destinado à administradora para gerenciar o consórcio.

Seguro: a operação inclui um seguro de vida, que paga as prestações de vendas, em caso de falecimento de algum participante.

Fundo de reserva: taxa cobrada por algumas instituições como garantia durante o consórcio, sendo devolvida aos consorciados no final do período.

Vale destacar que, além do pagamento mensal, é possível pagar parcelas adicionais, a fim de antecipar investimentos. Existe também a possibilidade de dar lances, que explicaremos mais à frente.

Outro fator importante que merece ser discutido é a falta de pagamento. Quando um consorciado inadimplente é sorteado, um número mais próximo é premiado em seu lugar.

As cláusulas do contrato apresentam regras claras quanto à exclusão de um integrante por causa da inadimplência, assim como sobre o tempo limite para normalizar essa situação.

Também é comum que existam multas para quem não paga as parcelas em dia. Certifique-se de conhecer bem os critérios do consórcio que pretende participar e, em caso de imprevistos, fale com um representante da sua administradora e pergunte sobre o que pode ser feito em situações extremas.

Contemplação

A contemplação é o momento mais aguardado pelos integrantes, pois eles recebem o que tanto desejam. Existem duas formas de ser contemplado: sorteio ou lance.

Nunca acredite em administradoras golpistas que prometem cotas com garantia de conseguir a contemplação em determinada data.

Tanto o sorteio quanto a abertura dos lances são feitos todo mês, em assembleias.

Durante esse evento, é necessário que hajam representantes dos consorciados para comprovar a idoneidade do processo. Instituições de confiança também transmitem as assembleias ao vivo.

Geralmente, a cada assembleia são concedidos, pelo menos, dois bens: um pelo sorteio e outro pelo lance. Porém, pode ser que sejam contempladas mais pessoas.

Isso vai depender essencialmente do valor presente no Fundo Comum. Grupos maiores podem ter fundos com grandes quantias e podem fazer mais entregas mensais.

Sorteio

Todo consorciado que pagar as suas mensalidades em dia pode ser sorteado (normalmente, por meio de um sorteio com bolas numeradas) para receber o seu bem ou serviço em instantes. Ou seja, todos têm a mesma probabilidade de vencer.

Lances

Servem para antecipar a contemplação e é composto por um pagamento a mais, além da parcela mensal. Os lances são anotados com antecedência, para que todos eles se mantenham em sigilo e não seja possível mudá-los durante as assembleias.

Dependendo da administradora escolhida, existem modificações nos critérios de definição dos valores de lance. Portanto, converse com um representante para conhecer as particularidades do seu plano.

Há três tipos de lance:

Lance livre: pode ser ofertado qualquer valor, desde que esteja entre uma taxa mínima e o custo total das mensalidades restantes.

Lance fixo: a operadora do consórcio define uma cota fixa para o lance, aumentando as chances de empates. Nesse caso, a contemplação sai para quem tem o número da cota mais próximo ao número sorteado.

Quando mais elevado for o limite do lance fixo, menos integrantes entram na disputa, e maiores são as chances de cada um.

Lance embutido: é uma forma de utilizar uma parte da carta de crédito (valor total do bem) como lance para a sua contemplação.

Ao passo que o lance embutido amplia as chances de ser sorteado, ele reduz a quantia total recebida pelo consorciado.

Os benefícios

O consórcio é uma boa opção para comprar bens de valor alto, pois se trata de um investimento parcelado e acessível para o consorciado. Além disso, essa modalidade de crédito apresenta vários outros benefícios. Veja todos eles.

Poder de compra à vista

O maior destaque do consórcio é a chance de fazer compras à vista, que dá poder de negociação à pessoa contemplada, oferecendo algum brinde (ou vantagem) e até um valor menor.

Tudo isso é possível porque você recebe uma carta de crédito com o valor integral.

Flexibilidade para o uso do crédito

Você tem liberdade para escolher o que quiser “levar para casa” — desde que o bem em questão esteja presente na lista de mercadorias ou serviços do seu grupo —, não precisando comprar o produto do consórcio obrigatoriamente.

Por exemplo, se o consórcio foi criado para a aquisição de automóveis, você escolher qualquer modelo e marca, até motos, embarcações e máquinas agrícolas, uma vez que fazem parte da mesma categoria.

Poucas taxas a serem pagas

As únicas taxas que vão além do Fundo Comum são as de administração e o seguro de vida dos participantes. Ou seja, não são cobrados impostos e juros. Portanto, ao ser contemplado, o valor será exatamente o que foi firmado em contrato.

Valor do bem sempre atualizado

No contrato, são descritas as regras pelas quais o valor do bem é reajustado, a fim de garantir o poder de compra dos integrantes quando forem contemplados.

É importante verificar essas atualizações nas cláusulas do documento, pois é uma forma de proteção ao consorciado.

Planejamento financeiro seguro

Consórcios nada mais são do que investimentos de períodos longos. Assim, você consegue se programar para o pagamento sem prejudicar a sua renda.

Existem planos de vários valores que se encaixam na realidade e no orçamento de cada um — isso resulta em parcelas mensais menores.

Contudo, é importante reforçar que o recebimento da carta de crédito pode ocorrer antes de quitar o consórcio.

Os maiores problemas

Um consórcio não é apenas cercado de vantagens, ele pode apresentar algumas desvantagens que precisam ser expostas para aqueles que optam por esse recurso de compra para que fiquem cientes de suas condições.

Um fator que pode ser um problema para algumas pessoas é o investimento em longo prazo, pois, na prática, significa que o dinheiro pago pode demorar para trazer o retorno daquilo que você necessita, sendo recomendado somente se você não tiver pressa.

Outro possível inconveniente é o investimento de risco no caso de consorciados inadimplentes.

Nesse caso, a administradora pode reajustar o valor das mensalidades e até aumentar a taxa de juros, o que traz prejuízo aos participantes.

Aqui, mais uma vez, vale a pena contratar uma instituição séria, já que ela fará uma seleção mais rigorosa quanto ao perfil dos membros.

Dar a devida a atenção a esses fatores é essencial, bem como estudar sobre as condições e regras que conduzem o consórcio.

Com isso, você reduz os impactos das desvantagens e evita problemas desnecessários.

O financiamento

Financiamento é um acordo financeiro feito entre o cliente e a instituição bancária ou financeira.

Elas liberam uma quantia em dinheiro para a pessoa que vai comprar o bem.

Ao contrário do empréstimo, as taxas podem ser mais acessíveis, pois o valor do financiamento é uma contribuição para adquirir um determinado item.

Ele é muito usado na compra de automóveis, motos, imóveis e terrenos, por causa de seus valores considerados maiores pelo mercado.

O seu pagamento pode ser feito por cartão de crédito, débito automático ou boleto bancário.

As taxas de juros podem chegar a 4,5% ao mês, dependendo da instituição escolhida pelo cliente. Por isso, é importante pesquisar em qual agência é melhor fechar negócio.

Como funciona

Existem três categorias de financiamento que funcionam da seguinte forma.

Financiamento de veículo: é um dos mais procurados do mercado por causa da rapidez de conseguir a liberação do valor e as taxas de juros serem relativamente acessíveis. Nesse tipo de negócio, há duas modalidades disponíveis:

Leasing: não permite que o documento do automóvel tenha o nome do comprador até o financiamento ser pago por completo.

Dessa forma, o carro fica sob responsabilidade da financiadora até a quitação. Juros mais baixos do que o CDC.

Crédito Direto ao Consumidor (CDC): após gerar o contrato de pagamento, o carro pode ficar em seu nome, porém, os juros são um pouco mais altos do que o leasing.

Financiamento solar: é um financiamento bastante peculiar para algumas pessoas, mas que pode ajudar aquelas que desejam ter um consumo sustentável e economizar com energia elétrica no futuro.

Financiamento estudantil: o sonho de fazer um curso superior faz parte de milhões de jovens e adultos.

Entre os que já estudaram ou estão frequentando uma graduação, grande parte está em uma instituição privada.

Nesse sentido, dependendo da formação desejada, o preço da mensalidade pode ser um empecilho para a efetivação da matrícula.

Além de programas de financiamento do governo, como o FIES e o Bolsa Universidade (do Estado de São Paulo), alguns bancos e financeiras oferecem os seus próprios planos de financiamento, que englobam pós-graduação e MBA. Basta analisar as suas possibilidades, bem como as taxas e os prazos de pagamento para escolher a melhor opção.

Financiamento imobiliário: como o próprio nome diz, é destinado para a compra de imóveis para qualquer objetivo (moradia, locação, comércio, construção etc.).

Nesses casos, antes de liberar o crédito, as instituições avaliam alguns dados pessoais.

O mais comum é a situação financeira do cliente e sua condição diante dos órgãos de proteção ao crédito (Serasa ou SPC) para ter certeza de que a pessoa tem condições de assumir o financiamento imobiliário.

As mensalidades podem chegar a 360 meses (30 anos), conforme o contrato feito.

Contudo, existe a possibilidade de antecipar os pagamentos se você preferir. Basta ir à agência, recalcular o débito com as taxas de juros e pagar.

imagem de um homem de camisa azul em frente ao seu laptop checando cálculos em um gráfico

Confira agora: Calcular juros do financiamento: aprenda agora e não seja mais enganado

As taxas

Para os financiamentos, existem maneiras diferentes de determinar como serão cobrados os juros e as taxas. Acompanhe.

Juros simples

Nos juros simples, os juros incidem sobre o valor original do financiamento. Em uma liberação de crédito de R$24.000,00 a ser pago em 24 parcelas de R$1.000,00, com juros de 4% ao mês, cada parcela custará R$1.040,00. Já o total pago ao final será de R$24.960,00.

Juros compostos

Os juros compostos também são chamados de “juros sobre juros”, e têm um cálculo bastante específico.

A cada mensalidade, a soma do valor a ser pago é feita a partir do valor inicial do crédito e nos juros das mensalidades anteriores.

Por esse motivo, essa condição pode ser um problema para pessoas que não cuidam das finanças como deveriam.

Em um crédito de R$20.000,00 a ser pago em 10 parcelas sob juros compostos de 5% ao mês, a primeira mensalidade será de R$2.000,00 + 5% = R$2.100,00. Já o cálculo do mês seguinte será feito a partir do valor pago na primeira vez (R$2.100,00) — e assim por diante.

Juros moratórios

Os juros moratórios são cobrados quando existe atraso no pagamento das mensalidades ou quebra de contrato durante o financiamento. Nada mais é do que uma indenização cobrada pela financiadora.

Taxa variável

Em acordos realizados com taxas variáveis, os juros variam ao longo do tempo.

Com ela, fica difícil saber exatamente os caminhos que os juros vão tomar. Isso porque eles oscilam com frequência, o que pode trazer resultados favoráveis ou ruins, dependendo das variações ocorridas no período.

Taxa fixa

A taxa fixa é justamente oposta à variável, pois na hora de negociar o financiamento, você já saberá quais serão os juros aplicados mês a mês e o total.

Portanto, não existem surpresas no período — você tem a chance de prever e se programar.

Ou seja, por mais que a economia e o mercado sofram muitas mudanças, as taxas fixas são mantidas durante todo o financiamento. Por isso, é uma das melhores opções para quem não quer correr riscos.

Os benefícios

Essa forma de pagamento é indicada para quem não tem dinheiro disponível no momento e deseja economizar mensalmente para realizar o seu sonho de consumo. Veja os privilégios que o financiamento pode oferecer.

Compra imediata

Esse é o maior benefício que atrai as pessoas, já que algumas instituições financiam até 100% do valor do bem.

Contudo, vale saber que algumas empresas exigem uma entrada de 10 a 20% em algumas categorias, especialmente na de veículos. Por isso, é preciso guardar uma parte para pagar no início do financiamento.

Ao passo que no consórcio você deve ser sorteado, no financiamento você compra o bem que deseja assim que o crédito é disponibilizado.

Controle do orçamento pessoal

Ao optar por essa modalidade de crédito, você se compromete em fazer esse dinheiro sobrar e paga o seu débito um pouco de cada vez. Saiba que será preciso programar o orçamento para evitar problemas.

Além disso, com uma quantia para dar de entrada, você tem a chance de negociar juros mais baixos.

Sendo possível reduzir o preço das parcelas do financiamento ou negociar um período de pagamento mais enxuto e que seja compatível com o seu bolso.

Adiantamento das parcelas

Conseguiu economizar ou entrou um dinheiro a mais na sua conta? Nesse caso, você tem total liberdade para quitar o seu financiamento quando desejar.

Os maiores problemas

A seguir, veja os problemas que o financiamento pode trazer em algumas situações.

Taxas de juros altas: dependendo da instituição escolhida, você corre o risco de pagar taxas juros muito elevadas, fazendo você desembolsar mais dinheiro para quitar o financiamento do carro, por exemplo. Por isso, é muito importante fechar negócio com instituições de renome no mercado.

Solicitação de dados pessoais e documentos: grande parte das empresas exigem algumas documentações para aprovar o financiamento. Portanto, é preciso respeitar os critérios para obter o crédito. Qualquer comprovante em falta pode atrasar a compra do bem. Nesse caso, é importante conferir a lista de dados pessoais e documentos para apresentá-los todos juntos.

Risco real de perder o bem: ninguém gosta de perder algo de valor elevado. Mas se o cliente não pagar as mensalidades em dia, estará sujeito a devolver o bem financiado para pagar a dívida. Essa é uma situação muito desagradável e pode ser evitada, desde que haja um bom planejamento para comprar um automóvel, por exemplo.

Consórcio ou financiamento

Como você viu acima, esses dois tipos de crédito têm as suas vantagens e desvantagens para a compra de um bem ou serviço quando não se tem o valor integral.

Vale reforçar que não existe uma forma de pagamento melhor que a outra. O consórcio ou financiamento são válidos, mas cabe a você pesar os prós e contras.

Se precisar adquirir algo com urgência — como cursar uma graduação ou ter um carro —, fazer um financiamento com uma boa instituição pode ser mais atrativo.

Mas, se você não tiver pressa para comprar um bem, como uma casa, o consórcio pode ser a melhor pedida.

Mais uma vez, pesquise as opções disponíveis, veja as taxas envolvidas e os benefícios ofertados em cada uma. Consórcio ou financiamento? Veja qual é o recurso mais conveniente para você e faça a sua escolha.

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