Comércio eletrônico cai até 37% em dias de jogo do Brasil na Copa

Larissa Carvalho

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Comércio eletrônico cai até 37% em dias de jogo do Brasil na Copa

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As vendas no comércio eletrônico recuaram até 37% nos dias de jogos do Brasil durante a Copa do Mundo.

Segundo dados da Braspag, empresa do grupo Cielo e que atua em plataformas de pagamento para o comércio eletrônico, a maior retração foi no dia 12 de junho, que recebeu, além do primeiro jogo do Mundial, a cerimônia de abertura do evento.

Além da partida, a data foi afetada pelo feriado decretado em São Paulo, o maior centro consumidor do país.

Conforme a seleção foi avançando no torneio, a queda nas vendas foi diminuindo. Ou, segundo dizem os especialistas, conforme o desempenho do Brasil não foi agradando no campeonato, apesar do avanço para as fases seguintes, os consumidores decidiram voltar à internet e retomaram as compras on-line.

O consumo caiu significativamente em todo o mercado de e-commerce nos dias de jogos da seleção brasileira. Mas, considerado todo o período da Copa, a retração nas vendas foi pequena, de 3%”, diz Gastão Mattos, presidente da Braspag.

Para o executivo, isso mostra a importância do setor para a economia brasileira. O comércio on-line deve crescer entre 25% e 30% neste ano sobre 2013, segundo estimativas do setor.

Os dados de queda nas operações durante o Mundial levam em consideração as vendas das principais lojas do comércio eletrônico com transações processadas pela Braspag, que tem cerca de 1.200 clientes.

As lojas de artigos esportivos foram as que mais se beneficiaram do evento, com crescimento médio de 25% na comparação de vendas na Copa e igual período de 2013.

 

Quedas nas vendas em dias de jogos do Brasil

PartidaDataQueda1 (em %)
Brasil x Croácia12 de junho37
Brasil x México17 de junho25
Brasil x Camarões23 de junho22
Brasil x Alemanha8 de julho19
Brasil x Chile28 de junho18
Brasil x Colômbia4 de julho16

Em relação à média de transações conforme o dia da semana e a ocorrência das partidas no período de 1º de maio a 30 de junho. Nas demais avaliações, considerou-se o período de janeiro a junho de 2013 e 2014

 

Empréstimos

Não só as compras on-line tiveram queda nos dias de jogos, mas sites que oferecem serviços financeiros também registraram movimento menor.

Ricardo Kalichsztein, presidente do site BomPraCrédito, diz que, durante a Copa, os empréstimos para pessoa física tiveram redução em média de 13,8% em relação a igual período do mês anterior.

O consignado caiu ainda mais, 16,6%. Esses são os dois principais produtos oferecidos pela empresa aos consumidores.

Considerando os dias de jogos do Brasil, a maior queda na procura de serviços financeiros foi no dia do jogo contra a Colômbia (dia 4 de julho), de 69%. Em seguida, está a partida contra a Alemanha (queda de 65,3%).

“Acho relevante quando se considera que, apesar dos jogos, nesses dias houve demanda para a busca por empréstimo”, diz o executivo da BomPraCrédito.

 

Turistas

Enquanto os brasileiros gastaram menos com o comércio eletrônico, os estrangeiros europeus foram os que mais gastaram durante a Copa, segundo levantamento do grupo Cielo em 1,4 milhão de pontos físicos de venda no Brasil feito a pedido da Folha.

Entre turistas estrangeiros de 20 nacionalidades, os holandeses foram os que tiveram o maior gasto médio por compra: R$ 446.

Em seguida estão suíços (R$ 416), russos (R$ 386), sul-coreanos (R$ 321) e turistas do Reino Unido (R$ 315).

A informação é da área de inteligência da empresa de pagamento eletrônico Cielo que verificou os gastos de estrangeiros entre os dias 12 de junho e 8 de julho –cinco dias antes do encerramento final do Mundial.

Na outra ponta do ranking, ocupam as últimas posições em valores médios gastos por compra os turistas dos EUA (R$ 198 gastos em média por compra), da Espanha (R$ 174) e da Argentina (R$ 127). Os gastos de brasileiros não foram computados pela empresa.

O gasto médio a cada compra de estrangeiros no varejo brasileiro foi de R$ 241 no período da Copa. O valor representa queda de 7,2% em comparação à média dos meses anteriores ao evento, quando o gasto médio dos estrangeiros foi de R$ 260. A empresa optou por fazer essa comparação por causa dos efeitos da inflação.

Rio e São Paulo concentraram, juntas, 67% dos gastos de estrangeiros no Brasil. Por setor, o gasto médio dos estrangeiros foi de R$ 127 em bares e restaurantes e R$ 312 em demais setores (hotelaria, transporte e outros).

 

Participação no gasto total

Quando se considera os gastos totais feitos pelos estrangeiros durante a Copa e não o valor médio gasto em cada compra, foram os visitantes dos EUA os que mais gastaram.

De cada R$ 100 gastos pelos turistas, R$ 25,50 vieram dos norte-americanos. O destaque estão para os colombianos e os mexicanos, respectivamente, em quarto e quinto lugares no ranking de gastos totais dos estrangeiros no Brasil durante a Copa 2014.

“À medida que as seleções foram avançando no torneio, os turistas adiaram o retorno e os gastos foram aumentando”, diz Gabriel Mariotto, gerente da área de Inteligência da Cielo.

“Se compararmos o período da Copa e o mesmo período em 2013, a Colômbia aparecia em 16º lugar no ranking dos gastos dos estrangeiros e o México em 11º”, afirma.

 

Gastos de estrangeiros na copa

PaísPor compra, em R$
Holanda446
Suíça416
Rússia386
Coreia do Sul321
Reino Unido315
Alemanha308
Bélgica288
Austrália287
Uruguai282
França267
Colômbia262
Japão248
Equador245
Chile237
Portugal217
México213
Itália207
Estados Unidos198
Espanha174
Argentina127

Levantamento em 1,4 milhão de pontos de venda em 12 cidades-sede, de 12 de junho a 8 de julho. Considera gastos processados pela Cielo na compra de estrangeiros.

 

Cartão de crédito

Dados da empresa Mastercard mostram que o aumento de estrangeiros que visitam o Brasil levou a um crescimento de 169% no total de dólares gastos entre o período de 8 de junho e 2 de julho (durante o evento esportivo) em comparação com o mesmo período em 2013.

Já nas 12 cidades-sede do Mundial (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Porto Alegre, Cuiabá, Salvador, Recife, Natal, Fortaleza e Manaus) o crescimento de gastos no cartão foi ainda mais expressivo no período – chegou a 193% quando comparados os mesmos períodos acima.

Segundo a Mastercard, Rio de Janeiro e São Paulo, juntas, respondem por 47% dos gastos de turistas estrangeiros, enquanto as outras 10 cidades são responsáveis por cerca de 27%.

Os três setores que tiveram maior aumento nos gastos de estrangeiros foram restaurantes/bares (273%,) companhias aéreas (211%) e hotelaria (137%).

 

Por: Claudia Rolli de São Paulo em 15/07/2014
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2014/07/1486157-comercio-eletronico-cai-ate-37-em-dia-de-jogo-do-brasil-na-copa.shtml