Juros da poupança, vale a pena investir ou não?

Larissa Carvalho

| 4 minutos para ler

Mulher de Negócios olhando um gráfico que sinaliza perda de dinheiro

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Investimento é super tradicional e conservador, mas nem sempre é a melhor opção em relação aos rendimentos

Quais são os juros da poupança? Essa é uma das dúvidas mais comuns quando se fala sobre o mundo dos investimentos, especialmente para quem é um iniciante nessa área.

Não é por acaso que isso acontece, mas sim porque a poupança é a forma mais conhecida de investimento pelos brasileiros. É isso o que mostra a pesquisa “Raio X do Investidor Brasileiro – 2ª Edição”, feita pela ANBIMA (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) com 3.452 pessoas.

Em perguntas feitas com respostas espontâneas, 31% das pessoas citaram a poupança como uma forma de investimento, porcentagem que aumentou para 90% nas perguntas estimuladas, quando foram aplicadas perguntas com opções de alternativas.

Entre os investidores, 88% dos brasileiros guardam dinheiro na caderneta de poupança, o que mostra como ela se coloca em uma posição de destaque perante os demais tipos de investimento;

Porém, mesmo com um conhecimento e uma adoção tão significativos sobre este produto, nem todos sabem exatamente quanto ele rende, como ocorre a variação dessa rentabilidade e, portanto, se vale a pena mesmo investir nela ou não, e nós queremos ajudar a tirar essas dúvidas.

Continue conosco para aprender sobre outros investimentos tradicionais, os juros que a poupança traz e entenda quando a aplicação realmente faz sentido ou não para a sua vida financeira!

Quais são os investimentos mais antigos e utilizados no Brasil?

Em relação à adoção, podemos nos basear nos dados da pesquisa da ANBIMA, que mostrou onde o brasileiro investe seu dinheiro.

As principais opções foram as seguintes:

  • Poupança (88%);
  • Previdência privada (6%);
  • Títulos privados, como debêntures, CDBs, LCI e LCA (5%);
  • Fundos de investimento (4%);
  • Títulos públicos (3%);
  • Ações (2%);
  • Moedas estrangeiras (2%).

Além disso, 37% dos entrevistados afirmaram usar a poupança atualmente, adoção muito maior que a de outras opções, como previdência privada (3%), fundos (2%), títulos privados (2%), títulos públicos (1%) e moedas digitais (1%), entre outros.

Já no que tange aos investimentos mais antigos, podemos nos basear em um artigo do Portal do Investidor, da Comissão de Valores Mobiliários, que traz informações bem interessantes sobre o tema.

Antes da década de 1960, os imóveis eram a principal forma de investimento.

Além de uma inflação que crescia muito, a Lei da Usura, que fixava a taxa máxima de juros em 12%, impedia o desenvolvimento de um mercado de capitais ativo.

Com as reformas na economia nacional que foram instituídas pelo governo que assumiu o poder em 1964, várias legislações entraram em vigor para mudar a situação dos investimentos no país.

Podemos destacar o chamado “Boom de 1971”, forte movimento especulativo que atingiu o mercado de ações, o que afetou bastante essa modalidade de investimento, até que a situação começou a mudar por volta de 1975, graças a novos aportes de recursos e maiores investimentos pelos Fundos de Pensão.

Em meados da década de 1990, por sua vez, o volume de investidores estrangeiros aumentou no país, além de empresas brasileiras começarem a acessar o mercado externo.

Isso fez com que as empresas brasileiras tivessem que seguir as regras da SEC (Securities and Exchange Commission, ou Comissão de Títulos e Câmbio dos Estados Unidos), bem mais exigentes e sofisticadas que as presentes no Brasil.

Ainda assim, com o passar do tempo, o mercado de capitais brasileiro começou a ficar para trás em relação aos outros mercados pela falta de proteção aos acionistas minoritários, bem como à incerteza sobre aplicações financeiras.

Além de trazer um panorama sobre formas tradicionais de investimento, também podemos entender porque opções mais “arriscadas”, digamos assim, ainda não têm uma adoção tão elevada atualmente, embora a situação esteja mudando, muito por conta da disseminação de conhecimento pela internet.

Outra informação que podemos extrair é que a poupança, por ser uma modalidade segura e tradicional, acaba por atrair muitas pessoas por conta disso, o que se vê até os dias de hoje.

Leia também: O que é investimento? Tipos, benefícios, dicas e como começar

Quais são os juros da poupança? Quanto rende R$ 1.000 na poupança?

Eles variam com o passar do tempo, mas hoje correspondem a 1,575%, também graças à redução da taxa Selic para 2,25% ao ano pelo Copom (Comitê de Política Monetária), do Banco Central.

Se esse valor se mantiver, deixar R$ 1 mil na poupança por um ano fará com que a rentabilidade seja de apenas R$ 15,75, o que é muito baixo para um período tão longo.

Além disso, é preciso analisar também a ação da inflação, e se ela se mantiver acima da rentabilidade, isso significará, literalmente, que você perderá dinheiro deixando-o investido na poupança.

Isso acontece graças às normas da remuneração dos depósitos de poupança, que é composta de duas parcelas:

  • Remuneração básica, de acordo com a Taxa Referencial (TR);
  • Remuneração adicional, que é de 0,5% ao mês, quando a taxa Selic ao ano for maior de 8,5%; ou 70% da taxa Selic ao ano, mensalizada, vigente no início de cada período de rendimento, quanto a meta da taxa Selic for igual ou menor a 8,5%.

Hoje, temos a Taxa Referencial (TR) zerada, o que acontece desde 2017. Além disso, como a taxa Selic está em 2,25% ao ano, o rendimento é de 70% deste valor, ou seja, 1,575%.

Como podemos ver no site do Banco Central do Brasil, a meta para a taxa Selic está em queda constante há muito tempo, basicamente desde outubro de 2016, salvo por uma estabilidade entre março de 2018 e julho de 2019. Depois deste período, ela continuou caindo.

Os impactos do Coronavírus na economia devem fazer com que a taxa Selic se mantenha baixa, isso se ela não cair ainda mais, o que afeta diretamente os juros da poupança e, com isso, a torna em uma opção longe de ser a melhor.

Gráfico de porcentagem com moedas, indicando perda de dinheiro.

Com juros da poupança tão baixos, onde investir meu dinheiro?

Se você quiser se manter na renda fixa, pode ficar com outras opções bastante seguras, como Tesouro Direto e CDB.

Se o título do Tesouro Direto for mantido até a data de vencimento, os rendimentos devem ser de aproximadamente 100% do CDI, que hoje está em torno de 2,15%, ou seja, 36,5% mais rentável que a poupança.

O CDB, por sua vez, varia de acordo com cada instituição e pode render valores ainda maiores, como 127% do CDI, o que hoje seria algo em torno de 2,73% ao ano, ou seja, 73,37% a mais que a poupança.

Com juros da poupança tão baixos e sem previsão de aumento a curto prazo, compensa procurar por outras alternativas, também seguras e com maior rendimento. Assim, seu dinheiro literalmente trabalhará ainda mais por você!

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