O que é inflação e como fazer para sobreviver a ela?

Larissa Civita

| 5 minutos para ler

imagem de gráfico inflacionário

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Para driblar a inflação, você deve saber de onde ela surge e por que afeta seu estilo de vida

A inflação é uma daquelas irmãs que sempre levam a culpa por tudo o que acontece de ruim com nossa vida financeira.

O preço do tomate aumentou? É culpa da inflação! O dinheiro não é suficiente para pagar as contas? Lá vem a inflação…

A sensação que a gente tem é a de que ela está ali, escondidinha, só esperando o momento certo para cair na boca do povo.

Mas, será que a inflação só existe para tirar nosso sono e o tomate da salada? A resposta você terá se ler esse texto até o final.

Dando nome aos bois: o que é inflação?

Basicamente, a inflação é o nome de um fenômeno que acontece quando os preços vão lá nas alturas e prejudicam nosso poder de compra.

É aí que a gente tem que escolher direitinho onde e quanto vamos gastar. Sim, é aquela história de comer no café para economizar no almoço! 

Mas, ela não surge do além e vem parar direto nas tabelas de preço do supermercado ou nas tarifas de ônibus.

Na verdade, ela começa com o crescimento da quantidade de dinheiro circulando por aí.

Existe uma alteração no equilíbrio oferta x demanda, que acontece quando tem mais compradores do que vendedores.

imagem de gráfico inflacionário

Nesse caso, o problema surge do crescimento anormal do poder de compra. 

Leia agora: Tudo o que você precisa saber sobre a economia brasileira

Quem são os criadores da inflação?

A inflação pode ser causada por 3 contextos diferentes: o monetário, de demanda e custos. Confira o que significa cada um deles:

Inflação Monetária:

Ocorre quando o governo emite dinheiro de forma descontrolada para estimular as pessoas a comprarem cada vez mais. 

Inflação de Demanda:

Ela é consequência da inflação monetária. A capacidade de consumo passa a ser maior do que a capacidade de produção.

É por isso que os preços aumentam.

Inflação de Custos:

Também é causada pela inflação monetária.

Nesse caso, os preços de mão-de-obra, matéria prima, equipamentos, entre outros itens que fazem parte do processo de produção, sobem. 

Então a gente vive em uma inflação monetária?

O governo brasileiro é responsável por administrar sua casa, que é o nosso país.

Isso significa que ele deve saber direcionar os gastos com infraestrutura, saúde, segurança, educação, entre outros.

De onde sai o dinheiro para tudo isso? Basicamente, da arrecadação de impostos.

Quando ela não é suficiente, o governo precisa de outras estratégias para poder fechar a conta de todos os compromissos financeiros. 

Um dos caminhos é a venda de Títulos Públicos por meio de uma ação chamada “Reservas Fracionadas”.

Com isso, ele acaba despejando mais dinheiro na economia, mas continua gastando mais do que arrecada.

Outra opção é a famosa dívida externa, ou seja, ele pede empréstimo aos países que possuem uma economia mais equilibrada.

Para pagar a dívida, taxas de juros são cobradas.

imagem aérea de preços aplicados em super mercados

Isso piora ainda mais a situação da nossa economia. É preciso fazer outra dívida para pagar a anterior.

Para você entender melhor, é como se a gente fizesse um empréstimo para pagar outro empréstimo. Vem bola de neve por aí…

Veja Mais: Investimento em imóveis, vale a pena?

Para qual país eu devo ir para fugir da inflação?

Se você acha que inflação é um problema típico de brasileiro, está muito enganado.

A Venezuela terminou o ano de 2019 com inflação de 39113.80%. Por aí, não é difícil entender por que o país tem sido destaque nas notícias.

A Argentina também fechou o ano com um número preocupante. O país contou com uma inflação de 52.90%.

Saindo um pouco da rota das Américas, a inflação também está presente na Europa. A Turquia finalizou o ano com o índice de 11.84%. 

As consequências desses dados a gente já conhece: desemprego e aumento da pobreza.

Em casos extremos, como acontece na Venezuela, a população sofre com problemas relacionados ao consumo de itens básicos, como alimentação. 

E onde é que entram os índices de inflação?

Os índices de inflação são indicadores utilizados para medir o aumento ou a variação destes preços.

Eles também servem para revelar qual é o impacto disso no custo de vida do brasileiro, ou seja, no nosso bolso. 

O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) é calculado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O resultado desse cálculo é a inflação oficial do país. 

Para chegar a um padrão, o órgão de pesquisa leva em consideração o que as famílias com renda mensal de 1 a 40 salários mínimos gastam com saúde, alimentação, despesas com a casa, educação, entre outros. 

Se o que as famílias ganham não está dando conta de pagar todas as despesas, isso é um sinal de alerta.

Ao fazer o dinheiro perder valor, a inflação acaba estimulando o aumento da pobreza. 

Para evitar que ocorra uma crise econômica grave, o governo deve analisar os índices gerados pelo IPCA.

Com isso, ele será capaz de pensar em estratégias para manter a economia em equilíbrio.

Existe inflação equilibrada?

A inflação não é sempre a vilã da história. Ela precisa existir para estimular a concorrência das empresas e, como consequência, fazer com que a gente gaste dinheiro. 

Não é à toa que muitas lojas fazem ofertas e liquidações. Essa é uma forma de fazer com que o dinheiro circule.

Nesse sentido, a inflação equilibrada é aquela que tem como base as expectativas para o crescimento da economia.

Por isso, o Banco Central calcula um índice de inflação aceitável. Isso significa que ele cria metas para manter o controle dos preços.

Para 2020, a meta de inflação é de 4,5% ao ano. 

Isso significa que a economia deve crescer em 4,5%. Para garantir que isso aconteça, o Bacen estipula a taxa Selic, que é a taxa básica de juros da economia.

É por meio dela que os bancos e outras empresas estabelecem os juros que serão cobrados na venda de produtos ou serviços. 

Quando a taxa Selic é muito alta, tudo fica mais caro, o que reduz a inflação. O contrário também acontece, ou seja, quando a meta da Selic diminui, os preços caem, o que pode elevar a inflação. 

Como sobreviver durante o período de inflação?

A primeira coisa que você deve fazer para passar pelo período de alta da inflação sem sofrer as consequências no seu bolso é ter o hábito de conferir os preços.

Fique de olho no valor de tudo que você coloca no carrinho de supermercado.

O mesmo vale para o litro da gasolina, o preço da passagem de ônibus, os gastos no salão de beleza, cinema, entre outros. Faça dessa avaliação um hábito.

Não dá para saber como controlar seu dinheiro se você não sabe para onde ele está indo.

Além disso, procure cortar despesas com coisas que podem ficar para segundo plano.

Nesse caso, é importante tomar decisões com base no seu estilo de vida. E, por falar nisso, evite desperdícios com energia elétrica, água, entre outros consumos. 

Use a criatividade para passar pela inflação. Aposte em viagens e programas de lazer mais baratos.

Troque a academia por parques. O combustível está caro? Entre na onda da carona solidária e divida as despesas do percurso com colegas de trabalho. 

Não deixe de cuidar com carinho do seu patrimônio e não sair por aí metendo os pés pelas mãos e fazendo mais dívidas.

Quando a inflação se normalizar, você vai ter aprendido que com pequenas atitudes, sua vida financeira pode se manter estabilizada, independente das boas ou más notícias sobre a economia brasileira.

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